quarta-feira, 5 de junho de 2013

Quandos...

Quando eu abro a porta e ele está lá, com aquele jeito meio sem graça de quem tenta esconder o sorriso, sinto como se meu pulmão se enchesse de um ar totalmente novo. 
Quando faz muito calor nossos corpos se separam na cama por conta da temperatura, mas nossos pés se encontram no final do colchão, como se quisesse dizer que estamos sempre conectados.
Quando pego o celular para ligar, ele já me enviou uma mensagem. 
Quando cochilamos, entrelaçamos.
Quando penso nele, ele me liga.
Quando faço uma careta, ele responde, quando deixo um carinho, ele se arrepia. 
Quando beijo, nós flutuamos, quando fazemos amor, vamos juntos aos céus. 
Quando eu durmo, ele me vigia.
Quando preciso, me escondo nos braços teus.
Quando nos conhecemos, não imaginava. 
Quando penso nele, quero perto. 
Quando fecho os olhos, sinto o cheiro, 
E quando lembro do toque, viajo!

terça-feira, 20 de novembro de 2012

CDI – Cidadania Digital – Um direito de todos


Por Wévela Mendes
Inserir o maior número de pessoas no contexto digital é a proposta do CDI. 
Os avanços tecnológicos aliados a globalização atualmente têm gerado um quadro de informação que se dissemina com muita rapidez. Seria possível imaginar que em 2012 exista alguém que vive em um laptop ou computador em casa? Não só seria, como é uma realidade constante em várias cidades brasileiras. Na Bahia não é diferente, porém uma parceria entre Governo Estadual e Governo Federal criou o . O objetivo do programa é levar internet banda larga ao maior número de municípios possível, e também contribuir para a socialização dos membros da comunidade. Atualmente o programa está presente em todos os municípios da Bahia, gerando uma média de 20 mil acessos diários. Como parte do programa de socialização do saber, são usados apenas softwares livres. Para a administração de cada CDC– Centro Digital de Cidadania – há gestores e monitores, treinados pela  Secretaria de Tecnologia da Bahia
Os bons exemplos gerados pelo programa Cidadania Digital são muitos. Em Curaça, municipio que fica na divisa entre os estados de Bahia e Pernambuco, surgiu um jornal comunitário. Da energia e criatividade de jovens nasceu O Farol Midiático. A proposta inicial era interagir o CDC com a comunidade, mostrar o trabalho que estava sendo desempenhado. Utilizando os comptuadores do CDC, os jovens dividiam-se em dois grupos – enquanto um deles fazia as pesquisas, diagramação, edição e pautas, os outros eram responsáveis por ir até as ruas buscar informação. Desenvolvendo o hábito da leitura através de parcerias com as escolas, o CDC de Curaçá faz a sua parte incentivando a criatividade das crianças.
Em Ibotirama o alvo não é apenas a turma jovem. As mulheres que fazem vassouras artesanais tem muito o que agradecer ao CDC. Por falta de matéria-prima foi desenvolvida uma nova modalidade de moeda de troca: Quem quiser acesar a internet por meia hora, deve levar uma quantidade de garrafas pet usadas (e limpas) correspondente. O retorno foi quase imediato, e a Associação Beneficente Comunidade de Mãos Dadas comemora esse favor que é feito ao meio ambiente. Além do projeto de preservação ambiental, é desenvolvido um trabalho musical voltado a crianças e jovens. Inicialmente o objetivo era preencher as horas em ue se fiava aguardando um computaor para acessar. Depois, o que era ócio se transformou em notas, músicas, instrumentos e muita alegria.
Finalizando os casos de sucesso de implantação, temos o exemplo do terreiro São Jorge Filho da Goméia, em Lauro de Freitas, região metropolitana de Salvador. Gestor do CDC, Marcelo Cardoso pontua as prioridades do tratamento do CDC em Lauro: “São os imigrantes digitais. Decidimos criar essa nomenclatura para designar as pessoas mais velhas, os idosos, que nunca tiveram contato com computadores. Para os jovens, que já nasceram numa outra realidade, com a tecnologia mais próxima, cunhamos o termo 'nativos digitais'.” Todo o trabalho desenvolvido pode ser visualizado no blog Bankoma Comunidade Negra E é inserindo a terceira idade no contexto do mundo cibernético, que o CDC de Lauro de Freitas vai cumprindo seu papel de socializador.
Para receber um Centro Digital de Cidadania, é necessária uma parceria com instituições públicas ou organizações da sociedade civil organizada. São CDC's prontos em comunidades religiosas – católicas, evangélicas e afro-descendentes – em associações comunitárias, em espaços cedidos por prefeituras e alguns outros lugares O importante é fazer chegar a todos as maravilhas da informação da era virtual.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Movimento Artístico Busca Conscientização Cultural e Política


Menos Canalhas, Mais Cores – Movimento Artístico Busca Conscientização Cultural e Política
Por Wévela Mendes 


O cenário é comum: Ruas, passarelas, avenidas e vielas cheias de informação. Mas nesse tempo, não são apenas os anúncios de “Compre Aqui” ou “Emagreça Sem Esforço” que tomam as ruas da cidade. Candidatos a um cargo político disputam os poucos espaços vagos na via pública para pedir votos, muitas vezes prejudicando o trânsito de pedestres ou a localização geográfica da cidade.
Em Salvador, o Monumento das Gordinhas em Ondina surge quase irreconhecível em meio a placas de propaganda eleitoral de candidatos a vereador e prefeito. Pela Avenida Paralela, poucos são os pontos onde não há uma placa, banner ou cavalete.
O excesso de informação motivou um artista a transformar a realidade soteropolitana. “Desorganizando para se organizar” (parafraseando Nação Zumbi em seu Caos e Lama)Samuca Santos propõe uma ação simples: “Sequestre uma placa irregular e transforme-a em tela, mude a cara dos políticos. Dê cor à propaganda eleitoral.”
O movimento “Menos Canalhas, Mais Cores” surgiu no último dia 30 de agosto, em um post discreto através da rede social Facebook. Em menos de dois dias, o texto teve mais de 200 compartilhamentos. Para Samuca, foi um susto: “Não imaginava que fosse ter esse alcance, eu nem quero mídia ou nada alarmante. Queria propor pra galera sequestrar as placas irregulares, os cavaletes que estavam nos gramados pra fazer uma intervenção artística, mas só isso. Nada grande.”
A ideia baseia-se como uma forma de dar utilidade aos cavaletes, placas e banners que podem ser apreendidos pelo TRE por irregularidades. A Lei Eleitoral prevê que todos os tipos de propaganda visual deve ser feita entre as 06 e 22 horas, em vias públicas que não atrapalhem o trânsito urbano, excluindo-se os gramados e repartições públicas. Os muros só podem receber propaganda mediante autorização por escrito do propríetário, em caráter gratuito, ou seja, o candidato não pode oferecer nenhum ônus ao proprietário do imóvel. O TRE realiza periodicamente vistorias e apreensão de propagandas irregulares.
Equipes de trabalho atendem a denúncias da população, de placas irregulares, muro pintados sem autorização, ou propagandas sonoras que atrapalham a rotina da comunidade. As placas e cavaletes apreendidos são recolhidos para os pátios da Limpurb, órgão responsável pela limpeza e conservação dos espaços públicos na capital. Porém, muitos moradores relatam a ineficiência da fiscalização do TRE, visto que muita propaganda irregular pode ser vista pela ruas da cidade.
A proposta do “Menos Canalhas, Mais Cores” se tornou um evento em que os candidatos se tornam agentes causadores, mas não protagonistas da ação. Vários nomes do grafitti urbano e de áreas das artes se disponibilizaram a fazer a sua parte. Para tal, o plano simples: Pegar uma placa irregular, cobri-la totalmente com tinta branca e depois, dar sua cara a ela. Super Afro, grafiteiro há mais de sete anos, participa da ação e frisa: “Vamos dar uma nova roupagem, uma nova visão ao contexto urbano, usando essas placas das pessoas que só aparecem nesse período do ano.”
As placas “sequestradas”começaram a ser expostas na última sexta-feira (21) no Canal do Imbuí. Em uma delas, o slogan do movimento surge em letras vermelhas, atraindo os olhares de quem passa de carro pelo local. Um motorista observa e fala: “É uma boa ideia, se todo mundo fizer isso, quem sabe a gente não mostra 'pros' políticos que é preciso ter cuidado com a cidade?”
Nas três placas de autoria de Samuca, rostos são vistos em perfil. Uma característica pessoal do trabalho deste artista dos sprays e tintas. Para ele, “não são rostos. São máscaras. Eu retrato as máscaras, afinal todo mundo tem várias máscaras, de acordo com cada coisa que vive.”
Das três placas expostas no Imbuí, duas foram depredadas e uma sumiu. Os outros cavaletes do candidato da região no entanto, continuam por lá, agora em maior número. Seria uma nova vertente do movimento?


(Matéria produzida para a disciplina Jornalismo Especializado do curso de Jornalismo da UNIME-Paralela, sob supervisão do professor Marcos Dias. Agradecimentos: Samuca Santos, SuperAfro OmCrew, TRE-BA.)

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Mago de si!

O bigode recém-cultivado é como um portal para o sorriso deste Mago. Tem vinte e seis, mas bem poderia ter mais de cinqüenta. Não pela voz, forte como a de um cantor da década de cinqüenta, nem pelo vigor do corpo de artista. Mas pelo saudosismo e respeito que cultiva como alicerces de um trabalho teatral longo, como o Caminho de Santiago. E assim se apresenta, ou lhes apresento: Felipe Mago. Ator, percussionista, escritor, poeta, filho, amante, pai. Todos esses presos em apenas um sorriso, de dentes amarelados pela nicotina, porem brilhantes de entusiasmo. Felipe tem Apolo, um doce labrador, negro como as noites que Mago tanto ama. Apolo tem Felipe, um pai bondoso e as vezes impaciente com as travessuras do pequeno filhote de pouco menos de um ano. A mãe era linda, conta: “Era doce, sorriso, dança e cor de uma forma que só podia me inspirar!”. Do pai, poucas lembranças, mas muita presença. Afinal nas quinzenas eles se encontram para um café, ou uma cerveja, mas sempre um abraço.
O pandeiro é o companheiro mais constante. Nele, Felipe batuca os ritmos de suas poesias. No ônibus tem seu palco. O motorista e o cobrador “pombo-sujo” são colegas de trabalho, que lhe abrem as portas e batem palmas ao final de cada espetáculo. Recita Caeiro, mas também Pessoa, Moraes, Assaré e vários outros poetas. Além da voz, do sorriso, também possui um gesto, quase cacoete, de colocar os dedos em pinça, como se segurasse o ar. Um meio de representar sua idéia, sua vontade, seu jeito. Aos colegas de grupo, é um sujeito diferente de tudo o que já se viu. Tem comédia, mas vive drama. Chega a ser palhaço, mas não gosta dos clowns. Não gosta desse não ter nada o que falar, pois é um Mago das palavras. Elas são poções, elixires de vida e de juventude para todos que tem a oportunidade de vê-lo cantar e recitar. Esse é um Mago. É o Mago. Felipe. 

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Labirinto

E ela tinha vontade e medo de dizer: Vem! Venha que eu estou aqui pra te abraçar e te proteger. Eu estou aqui pra te cuidar, te ninar, te carinhar... Vem, no seu tempo, que eu estou aqui te esperando. Vem que meu corpo aguarda pelo seu toque como as ervas esperam pelo orvalho. Vem que eu te faço esquecer tudo e te ajudo a viver e voar a vida!
Ela tinha braços pequenos, mas grande vontade de envolvê-lo, e de segurar aquela mão. Era um gigante, sim, perto daquele corpo franzino da menina. Mas no coração dela, ele tinha espaço e podia se esticar sem folga.
Ele era um menino grande. Brilho inquietante nos olhos, força na voz, vontades de criança, mãos macias e firmes. E medroso. Como um menino. Mas menino num corpo de adulto, que tinha que ter responsabilidade, que tinha que cumprir acordos, alianças, compromissos, promessas que as vezes nem ele sabia que seriam tão difíceis de fazer.
Ele tinha um sorrir com olhos que também era um não-sorrir-com-os-lábios, e que a fascinava. Dali nasceu tudo isso.
Ela era um coração calejado, machucado, teimoso, mas sábio. Que acreditava em tudo melhor um dia, que pensava que um sorriso, um abraço e um bom dia curavam metade dos problemas do mundo. E ela queria ajudar a curar o gigante. Ele havia entrado por uma porta e se perdido, e estava batendo pelas paredes. Ela estava no final do labirinto, esperando a hora certa de dizer "Vem!" para tirá-lo dali...

terça-feira, 6 de março de 2012

Revivendo...

Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa apagar o caso escrito.

Machado de Assis


Dói desapegar. Mas quando você vê as coisas tendo sentido depois que você manda alguém embora, você percebe que é bem mais feliz sem toda a preocupação, a tensão, a futilidade e o interesse que aquele ser te causa.


Eu preciso muito ser feliz. Eu quero muito ser feliz! Você não imagina o quanto! E eu vou fazer o que for preciso pra isso... tira-lo de mim foi só o primeiro passo!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Elis

A mulher que deu vida ao conceito de perfeição na voz. Numa época que a mixagem e masterização não favorecia o artista que não tinha voz. Era necessário saber cantar, dominar os tons, as nuances de voz. Era dificil ter uma postura interessante, uma presença de palco marcante o suficiente. Além disso, era preciso desenvolver a própria personalidade musical, e também era difícil se manter no auge. Cantou samba, bossa, blues, jazz, mpb... A era da televisão veio, a era da ditadura também (esta nunca mais se foi), os músicos e musicistas de tantos estilos vieram e se foram também, e ela continua, Diva, mesmo 30 anos depois de sua morte.

Não se fazem mais interpretes como Elis.

As pessoas deveriam ouvir e aprender mais com ela

http://www.youtube.com/watch?v=eDr3u5MF2HQ&feature=related